Uma esperança mais forte que o mar

Eles não escondiam o entusiasmo nervoso ao entrar no barco que os levaria a um destino juntos. Amavam-se e tinham apenas a certeza de que queriam viver essa história de amor com as mesmas oportunidades que qualquer outro casal. Mas o destino foi cruel e o barco onde seguiam não chegaria ao destino. Entre o pânico e o terror de um mar que tudo engole ele conseguiu arranjar uma bóia para ela que não sabia nadar. Ele acabaria por sucumbir ao fim de alguns dias à deriva. Não, esta não é a história do filme Titanic. Ela é a Doaa e ele o Bassem. Esta é a história de dois refugiados sírios. O barco que os transportou não era um luxuoso paquete mas um barco pesqueiro com poucas condições e 500 pessoas apinhadas. Não foi um icebergue que o afundou mas um grupo de assassinos que em nome de um ódio irracional naufragaram propositadamente a embarcação. Doaa esteve 4 dias e 4 noites à deriva sem comida ou água doce, numa bóia infantil e com dois bebés nos braços, as suas mães tinham já perecido. Doaa sobreviveu e conseguiu ainda salvar um dos bebés. Hoje Doaa mora na Suécia com a sua família, estuda e tenta levar a vida de uma miúda de 20 e poucos anos. Conta a sua história sempre que lhe pedem, apesar da dor que esta ainda lhe causa, e fá-lo com uma serenidade que comove. O seu discurso não é de ódio como o daqueles que provocaram esta tragédia, mas de empatia. A única coisa que pede é que olhemos para os refugiados como humanos que são.

Sara Martins

(A história de Doaa Al-Zamel já está em livro “Uma esperança mais forte que o mar” e será adaptada ao cinema por Steven Spielberg e JJ Abrams)( aqui a TED que conta a sua história https://www.ted.com/…/melissa_fleming_a_boat_carrying_500_r…)

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