Síria – Província de Idlib (2013)

É aqui que começa a história das civilizações, na Mesopotâmia. E por isso as suas principais cidades com mais de 3000 anos contam a história da humanidade e do percurso das religiões judaica, cristã e muçulmana.

Fez parte do Império Otomano e quando este perdeu a primeira guerra mundial, o Médio-Oriente foi dividido a belo prazer entre a França e o Reino Unido. Sendo que a Síria calhou aos franceses.

Após se libertarem da influência dos europeus, sofreu grandes lutas pelo poder até se tornar num estado independente, o que aconteceu logo após a segunda grande guerra.

Período de politicas turbulentas e à semelhança de todos os estados árabes da região, vários conflitos com Israel, levaram a instáveis alternâncias de poder até à chegada de Hafez Al-Asad (1970). Um ditador que tomou o poder à força e sempre abafou toda a resistência interna com crueldade, tendo ficado na história pelo massacre de Hama onde ordenou o seu exército a matar dezenas de milhares de civis apenas porque levantaram a voz em tom de protesto.

A sua morte no ano 2000 levou ao poder o seu filho médico, Bashar Al-Asad. Houve esperança de renovação, mas não durou muito. Bashar deu continuidade ao regime ditatorial, repressor e sanguinário do seu pai.

Importa dizer que a família Asad é xiita e estes 13% da população sempre dominaram os quadros do poder, contra uma maioria de 75% de sunitas. A completar o quadro das religiões há ainda uma fatia de 10% de cristãos.

Embalados pelas diferentes revoltas populares da Primavera Árabe, o povo sírio sunita em 2011 sai à rua em protesto contra o poder instituído, exigindo liberdade e democracia. A resposta do presidente Bashar foi brutal ao não hesitar matar todos que a ele se opusessem.

A guerra civil instala-se em todo o território dividindo essencialmente os sunitas de todos os outros protegidos pelo regime. Os curdos aproveitam para tentar ganhar controlo sobre os territórios onde habitam.

Há uma grande quantidade de dissidentes do exército sírio que formam o exército libertador do Síria (Free Syrian Army).

Diferentes interesses internacionais tentam influenciar o resultado do conflito. A apoiar o regime sírio declaradamente temos o Irão e o Hezbollah por quererem que os regimes xiitas dominem a região, e os russos porque têm interesse em manter os seus únicos portos no mediterrâneo. A apoiar os revolucionários temos os países árabes sunitas: Arábia Saudita e EAU assim como o ocidente e a Turquia por outros interesses.

Há vários grupos extremistas que pela sua natureza sunita abraçam a causa do lado da oposição, como a Alqaeda, e mais tarde vindos do Iraque em 2013, o Estado Islâmico. Estes grupos têm agendas muito diferentes daquela que deu origem à revolução e por isso dentro da oposição há inúmeros confrontos.

Catástrofe humanitária sem precedentes pelo número de mortos que ronda os 500.000 e pelo êxodo de refugiados que ultrapassa os 5 milhões mais ainda cerca de 9 milhões de deslocados internos.

Leave a Reply